quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Pesquisar as fontes é preciso

Tô lendo um librinho chamado ‘Bermuda: Triângulo da Morte’,escrito por Martin Ebon. Como o título sugere, trata-se de um estudo sobre o Triângulo Bermuda — famoso local na costa oeste norte-americana onde aconteceram supostos desaparecimentos de navios e aviões. Durante toda a narrativa é teclado na questão de que muito provavelmente esses mistérios que ocorreram lá só são mitos por falta de pesquisa. E não nos referimos aqui a estudiosos do assunto, esses já o fizeram e tentam desmitificar o lugar há anos. A pesquisa necessária é a do povo, de quem ouve a história e passa pra frente. 
Nos vários artigos contidos no livro, escrito por vários estudiosos ou pessoas que presenciaram momentos, a ideia é: muitos dos desaparecimentos atribuídos ao local talvez nunca tenham desaparecido nem sequer perto de lá. O desaparecimento de navios era algo comum até a década de 40 do século passado, quando não havia formas de se comunicar com as pessoas do navio, nem elas com as pessoas em terra firme. Depois disso houve alguns desaparecimentos, mas acredita-se que foram por causa de explosões já que não houve pedidos de ajuda, ou qualquer outro tipo de comunicação. 
A questão é: esse livro foi escrito em 1975. Imagina hoje em dia como não anda essa cultura do diz-que-me-diz-que? Não raro vemos por aí afirmações como ‘a gasolina no Brasil é a mais cara do mundo’, ‘os políticos do Brasil são os mais corruptos’, ‘é ridículo como o Brasil tem os maiores impostos’, “a internet no Brasil é mais cara de todas’. Fico me perguntando se as pessoas que falam essas coisas e as que passam pra frente dedicaram algum momento dos dias delas para averiguar se tais informações são corretas. Creio que não. 
Desde que o mundo é mundo nós nos contentamos com informações mastigadas, com senso-comum. É o que acontece com o Triângulo Bermuda: pelo menos 90% das pessoas que sabem sobre o Triângulo nunca leram sobre o assunto, apenas ouviram falar de suas histórias mirabolantes e passaram pra frente. Até porque, bem sabemos, uma mentira bem contada assume ares de verdade. Por que duvidar, não é mesmo? 
(A título de curiosidade para quem venha interessar: a gasolina mais cara do mundo atualmente está na Turquia, e o Brasil possui o 39º lugar no rancking. De acordo com estudos, em 2013 a Somália foi o país mais corrupto. O imposto mais caro do mundo é na Suécia. E sim, apesar de o Brasil ter uma das internetes mais caras do mundo, ele ainda fica atrás da Argentina.)

terça-feira, 15 de outubro de 2013

American Horror Story - 1ª temporada



American Horror Story (a partir daqui será abreviado para AHS) ao lado de Game Of Thrones, Braking Bed, Glee e outras, é uma das séries que mais tem-se comentado desde seu lançamento. O que eu sabia antes de começar a assistir-- além de que meus amigos amavam -- era que a série tinha temporadas isoladas, que não precisava necessariamente assistir a anterior para entender a atual, uma vez que cada temporada tem uma história própria.

Pois bem.. AHS conta com 12 episódios, é uma série entretedora, com ótimas atuações, o que são dois pontos muito altos. Porém nem só disso vive uma série. E aqui entra a parte crítica: na minha visão de leigo, achei o enredo de AHS um apunhado de cópias adaptadas. O pior: cópias de coisas icônicas. Pesquisei um pouco sobre a série antes de escrever aqui, e li que os criadores disseram que as maiores inspirações para a série são O bebê de Rosemary e O iluminado. Me perdoem, mas foi bem além da inspiração. Acho fácil pegar ideias prontas e recauchutarem. Red Rose e Os Outros são outras duas das "inspirações" bem presentes. Sem contar as referências diretas ao massacre de Columbine usadas no massacre fictício da trama.


AHS me pareceu a junção de todos os clichês possíveis nas histórias de terror: mansão mal assombrada, fantasmas, vizinhança louca. Sem contar o mal dos séculos: algo sobrenatural, que supostamente não deveria ser passional, se apaixonar! Sim, depois de vampiros, zumbis, lobisomens, dessa vez quem se apaixona é a pobre alma penada de um rapaz e não para por aí, -- WAIT FOR IT -- ele também engravida uma personagem!

AHS atira para todos os  lados, copia de todos também, e nisso cria sua fórmula: feito pra agradar e entreter. Pelo visto tem conseguido, uma vez que já está na sua terceira temporada. Não assisti as outras duas e por enquanto creio que não pretendo, mas espero que nelas os roteiristas tenham achado um jeito de encaixar todas as peças dos mistérios que ocorrem durante a trama: coisa que não houve na primeira temporada.

Muito se explica, muito se esclarece, mas ainda assim ficam certas coisas no ar e/ou sem fazer sentido. Sabe aquele erro que acontece muito de roteiristas fazerem tudo por um clímax? Isso acontece em AHS. Mesmo que depois não tenha uma explicação plausível para aquilo, o que importa é que o espectador ficou tenso.

O penúltimo episódio é de longe o melhor e o último é na mesma proporção o mais sem sentido para com o enredo. Neste há espaço para um humor, calma e clima familiar que não houve na temporada toda. Basicamente tem um final feliz, mesmo que atípico àquele que sempre imaginamos.

Na minha opinião está longe de ser espetacular, e com certeza longe de ser um lixo. Porém não há duvidas de que tem muitas outras histórias melhores, sejam em livros ou filmes. Em todo caso fica a dica para assistirem ou se informarem sobre as "inspirações" antes.  

domingo, 25 de agosto de 2013

"O menino do pijama listrado", de John Boyne

Lembro que por volta de 2008 muito se falou sobre "O menino do pijama listrado", de John Boyne. Li muitas criticas e a sua grande maioria -- se não todas -- eram favoráveis à história. Não importa quanto tempo passe, sempre que um livro que envolva o holocausto é lançado, tanto como romances ou diários, chamará a atenção das pessoas. Porque não importa quanto tempo passe essa é ainda uma parte da história que nos toca e indigna.


John Boyne ao contar sua história fez algo inusual: mostrou o ponto de vista de uma criança alemã de nove anos, filho de um comandante próximo a Hitler. Nesse seu toque de originalidade está o ponto alto do livro e ao mesmo tempo o mais baixo. Bruno é uma criança de classe alta, que um dia ao chegar da escola encontra sua criada fazendo as suas malas, pois em cima da hora sua família precisa viajar. A criança é extremamente inocente e até um certo ponto do livro é isso que nos faz gostar tanto da história. Como por exemplo quando ele se refere ao "Fúria", alguém que mesmo o menino não sabendo descrever exatamente quem é, ele sabe que é superior ao seu pai. Claramente vemos que ele se refere ao "Führer".

Mas no decorrer do livro essa inocência acaba se tornando massante. Em especial quando ele chega na sua nova casa e vê que tem uma grade que os separa de um campo onde há muitas pessoas, todas vestindo pijamas listrados. Novamente a pouca idade do personagem faz com que ele não entenda o que exatamente é aquilo, mas para nós leitores, tão conhecedores  desse período que somos, dispensamos apresentações: trata-se de um campo de concentração nazista.

Um dia Bruno sai para fazer um exploração pelo quintal da casa, quando ele se aproxima da grade ele vê que há um menino se aproximando. Esse menino é Shmuel, um garoto polonês que foi levado para esse campo com sua família. Durante todo um ano eles se encontram sempre que possível ali naquele local. E novamente a inocência de ambas as crianças incomoda. Mesmo com os encontros quase que diários, Bruno não toma consciência do que está acontecendo, ou o que é o campo onde seu amigo mora.

A história é emocionante sim, e o final é aterrador -- motivos pelos quais, creio, esse livro acumulou e vem acumulando fãs. Mas não há como negar que falta profundidade tanto em trama quanto em escrita. O livro de forma alguma é hiperestimado, muito pelo contrário, é fácil de reconhecer que ele tem muitos pontos altos. Um deles, por sinal, é o qual eu considero mais importante: ele te prende do começo ao fim. Em tempos em que todo mundo está com pressa, um livro que nos faça querer ler mais e mais é essencial. Mas com certeza há livros melhores sobre o assunto.

Vida longa à Martha Medeiros!

Essa semana, no dia 20, foi aniversário da Martha Medeiros! São 52 anos de vida, dos quais 28 são de carreira literára. Essa carreira ativa já rendeu 9 livros de crônicas, 5 livros de poesia, 5 romances, 2 livros de relatos de viagens e 1 livro infantil. E, claro, esperamos muitos mais nos anos que se aproximam. Para prestar uma simples homenagem reuni meus livros dela para uma foto. Só ficou de fora o "Non-Stop" que está emprestado. E logo esse que foi o primeiro livro dela que li.


Escritor favorito vivo é coisa rara e escritor favorito que inspira a cada livro lançado é mais ainda. Então achei que não haveria forma melhor de comemorar mais esse ano de vida da Martha do que lendo um de seus livros. O escolhido foi "Persona Non Grata", livro de poesias lançado em 1985. A orelha do livro ficou por conta de ninguém mais ninguém menos que Millôr Fernandes, onde, entre outras tantas palavras, ele disse: "[...] Martha Medeiros repete a dose, nem melhor nem pior, apenas excelente". E como você bem deve saber, o que Millôr diz não se contraria.


Quando se trata de Martha não tenho como escolher entre seus livros o meu favorito. Então minha recomendação é: leia o qual quiser, no gênero que quiser. Porque vale a pena. Ela é uma dessas escritoras que tem aquela rara qualidade de através de uma forma de escrita acessível escrever coisas profundas.

E mesmo que pareça bobo escrever isso aqui, uma vez que provavelmente Martha nunca virá a ler esse texto, não posso deixar de desejar feliz aniversário, saúde e tudo de bom pra ela, que é uma das minhas escritoras favoritas.

quarta-feira, 31 de julho de 2013

"1933 foi um ano ruim", de John Fante

Charles Bukowski diria sobre Fante: "Finalmente aqui está um homem que não tem medo de emoções". As emoções retratadas nesse "1933 foi um ano ruim" são as emoções de Dominic Molise, um adolescente de 17 anos, vindo de uma família italiana, onde há algumas gerações todos os homens tem seguido a carreira de pedreiro. Dominic quer mais para seu futuro.

É impossível durante a leitura não pensar que Dominic é um primo pobre de Holden Caulfield, d'O Apanhador do Campo de Centeio, de J. D. Salinger. Pobre em todos os sentidos. Dominic é de uma pequena cidade no estado do Colorado, com uma família totalmente endividada. Seu pai está desempregado há 7 meses -- ele atribui isso ao forte inverno pelo qual estão passando -- mas ainda assim ele passa seus dias e noites em um bar, fazendo apostas de sinuca e mantendo um relacionamento com uma outra mulher. A mãe de Dominic é uma pobre coitada, que passa seus dias rezando à Virgem Maria, na espera de melhoras na vida. Dominic também não faz as reflexões profundas que Holden faz nos seus passeios pela cidade de Nova York. Dominic se preocupa, sobretudo, com suas crenças religiosas e com o círculo que se fecha a cada geração de sua família: todos trabalham arduamente, porém, ainda assim todos continuam pobres.

No colégio Dominic sempre se destacou no jogo de beisebol. Fato que faz com que ele trate seu braço como uma entidade à parte do seu corpo. Não à toa Fante teve o cuidado de toda fez que citasse o membro em sua história usasse maiúsculas, O Braço. O final do livro é triste, mas nos faz torcer pelo futuro do personagem principal.

"1933 foi um ano ruim" foi publicado postumamente e talvez por isso, ao final de história, fica um gosto de história inacabada. Após a rápida leitura -- já que são apenas 138 páginas -- é injusto para com o leitor não saber o final derradeiro de Dominic. Mas essa á mais uma daquelas histórias que vem rápido e nos deixa refletindo por mais tempo, matutando sobre sua história e um possível final, condizendo com toda a sua realidade e ainda assim feliz.

"Stephen King - Coração Assombrado", de Lisa Rogak

Desde fevereiro desse ano o mercado editorial brasileiro está mais rico com os lançamentos da Darkside Books. Nesses cinco meses de atividade eles já contam com 9 livros no catálogo, mais 4 edições limitadas de alguns desses livros. Os slogans da editora são sugestivos e fazem jus às suas propostas: "Aposte no escuro" e "Desenterrando clássicos" -- uma vez que os lançamentos até aqui consistem basicamente em livros de horror e afins.
Um dos lançamentos inéditos da editora foi "Stephen King - Coração Assombrado", livro que fez com que sua autora, Lisa Rogak, fosse indicada ao prêmio Edgar Allan Poe de Melhor Biografia -- detalhe que a editora orgulhosamente ressalta na capa da sua edição com um selo hot stamp. Nas 270 páginas dedicadas a contar a vida do escritor, Rogak tenta fazer um retrato de King, juntando todas suas faces: escritor de terror aclamado, pai e marido amoroso, eterno caipira do estado do Maine, filantropo, diretor e roteirista de filmes e televisão, e a lista continua.

Havemos de concordar que não é possível contar 65 anos de vida, entre eles 39 de carreira ativa, em tão poucas páginas, mas não se preocupe: isso se deve porque a autora não se prendeu a pequenezas nem "fofocas intelectuais" que geralmente há nesse gênero. É tudo direto ao ponto, desde a infância aos dias atuais. Fala-se de todos seus livros, os mais célebres contos e adaptações para o cinema e TV.

Stephen ganhou fama quando publicou seu primeiro romance, "Carrie, a Estranha". Nos anos que seguiram seu sucesso literário apenas cresceu com títulos como "O Iluminado", "O Cemitério" e "O Apanhador de Sonhos", só para citar alguns. Apesar de ele não gostar nem concordar quando se referem a ele como um escritor de terror, não adianta: é onde ele mais brilha e, principalmente, por esses livros que será lembrado. Mesmo tendo exitosas experiências fora do gênero, como em "À Espera de um Milagre".

Para pessoas que pouco sabem sobre a vida pessoal do escritor pode ser que se espantem ao descobrir que o homem por trás de histórias tão sombrias e inquietantes é na verdade um cidadão comum, que leva uma vida simplista mesmo tendo alguns milhões de dólares na sua conta bancária. É que Stephen nasceu e cresceu no pequeno estado do Maine, e mesmo que tenha tendado morar em grandes cidades, ele rapidamente constatava que era nesse pequeno estado que estavam suas maiores felicidades e seus piores medos, logo era de lá que saia toda sua inspiração para escrever.


Ainda nesse ano de dois mil e treze (assim mesmo em extenso para respeitar a superstição do escritor com o número treze) está marcado o lançamento de 3 livros inéditos. Mas vale a pena apostar nessa biografia para já ir aquecendo!

sábado, 27 de julho de 2013

[FIXO] Maratona Literária

A "Maratona Literária"  é uma iniciativa inspirada em blogueiros norte-americanos, para que as pessoas leiam mais do que geralmente estão habituadas. Não há uma meta exata de número de páginas ou livros a serem lidos. A regra é clara: apenas leia mais.

Nesses último mês, apesar de eu ter tido muito tempo para ler, li apenas um livro -- mais o livro que estou lendo atualmente. Essa semana garimparei na minha estante livros que estão há muito esperando para serem lidos. Não me comprometo a fazer posts diários, mas tentarei.

Para mais informações, ou para se inscrever na Maratona entre no Café com blá blá blá.

Nesse post serão feitas as atualizações diárias:
29/07: Termino da leitura de "Stephen King - Coração Assombrado", de Lisa Rogak. Eu havia iniciado a leitura na semana passada.
30/07: Leitura do livro "1933 foi um ano ruim", de John Fante.
31/07: Leitura do livro "O menino do pijama listrado", de John Boyne.