Graças à esta fatalidade e o depoimento de uma pessoa claramente desestabilizada mentalmente, “O Apanhador no Campo de Centeio” ficou com a fama de “o livro dos assassinos”. Este salvo conduto – de ter um mandante (mesmo que literário) – foi usado em pelo menos outros 3 casos de assassinato ou tentativa de assassinato envolvendo sempre pessoas ilustres. Mas afinal de contas, o que de tão pertubador há nesse livro?
A resposta é simples: sentimentos triviais na vida de um adolescente. Holden Caulfield se vê expulso do colégio pela terceira vez, em véspera de Natal. Decidido de que não irá mais ficar nem um dia no colégio — já que era um internato — ele foge na mesma noite em que sabe da notícia. Vendo que ainda faltariam 4 dias para o seu regresso para casa, por conta do recesso, Holden decide passar esses dias nas mediações de Nova York — onde sua família mora. O que a primeira vista parece ser só mais uma história de um adolescente rebelde, se mostra, na verdade, muito mais profundo por conta dos pensamentos do protagonista.
O livro foi publicado 30 anos antes do assassinato de John Lennon, mas ganhou repercusão mundial após o caso. Antes disso, o livro por si só já era polêmico por conta do uso abusivo de gírias e de questionamentos sobre a vida sexual do personagem. Coisas que hoje em dia não assustariam ninguém, mas lembremos que nos referímos à decade de 50. Toda a trivialidade de sentimentos, mesclado com a profundidade destes, fez uma legião de fãs não só para com o livro, mas para com o escritor, J.D. Salanger, que conseguiu ser mais enigmático que seu personagem.
Apesar de Holden já não ser mais o tipo de personagem que adolescentes nos dias de hoje têm como herói — muito pelo contrário, exerceria o papel de anti-herói –, e a escrita de Salanger não ser das mais convencionais, são facilmente identificáveis os motivos que levaram o livro a ser considerado o quinto melhor do último século. E também quando você lê a última página, é muito fácil de se identificar com Holden quando ele diz que gostaria de poder ligar sempre que quisesse para seus escritores favoritos. Salinger já entrou pra minha lista.
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